A storytelling é uma arte difícil e cativamente que consiste em narrar ou contar histórias que geram emoções no público. Acordar nos nossos leitores sentimentos de identificação, humor, alegria ou tristeza é sem dúvida o principal desafio de um departamento de marketing e publicidade.

A partir da época dos filósofos gregos do século de Pericles como Platão e seu eterno mito das cavernas, passando por muitos alvos históricos, o conhecimento foi transmitido de pessoa em pessoa através da utilização de narrações carregadas de elementos literários, personagens míticos e a magia do carisma e da interpretação.

 

Na atualidade, o marketing de conteúdos precisa atualizar a sua essência dura e distante com as audiências que se transformam em ações mais cálidas que instauram uma conexão real com os clientes e futuros prospectos.

 

Para dar um exemplo claro da importância de aplicar a storytelling nas estratégias de marketing das marcas vamos pegar um segundo da rotina diária, os mails e as ligações telefónicas para ler. Simplesmente ler um conto.

Uma história como tantas outras que esconde o dilema que alguma vez temos vivido cada um de nós.

 

Neste caso da mão de Alejandro Dolina vamos entrar nas relações amorosas, a bondade, a mentira e a mudança.

 

Namorada

Faz muito tempo atrás, eu tinha uma namorada linda e boa. Ela me amava muito, mas eu fui cruel. Eu me divertia com a traição, a teimosia, com a mentira gratuita.

Ela chorava em segredo, quando eu não a via, pois sabia que com seu choro ficava irritado. Mas um dia, fiquei com medo de perdê-la, a causa de um incidente que já não me lembro que era.

O amor cresce com o medo. Minha atitude mudou e virei mais boa pessoa. Eu quis pagar pelo dano feito e comecei a viver para ela.

Eu lhe fazia amor em cada canto. Cantava valsinhas de Héctor Pedro Blomberg. Levava ela para passear pelos lugares mais lindos do mundo. Propunha aventuras incríveis. Fui sabio e generoso só para merecer seu amor.

Mas um dia ela me deu o fora.

—Não te quero mais – me disse, e foi embora.

Insisti um pouco, só um pouquinho, porque era bom. Depois esperei a morte sentado no limiar.

Depois de um tempo, apareceram os ciúmes. Pensei que ela tinha me deixado por outro. Dedici pesquisar.

Perguntei para os seus amigos, mas todos foram indiferentes.

Decidi segui-la. Passava as noites na sua porta. Durante o dia, ficava na esquina do seu trabalho. A pesquisa não teve bons resultados. Minha namorada não fazia nada de ruim. Eu perdi meu emprego, minha saúde e até minhas amizades. Minha vida era uma vigilância perpetua.

Meses se passaram e tudo continuava igual. Até que um dia vi ela saindo com um ar bem decidido.

Eu tive a suspeita que ia se encontrar com um homem, talvez porque estava linda demais.

Caminhei atrás dela sem que me visse e vi que parou numa esquina que eu conhecia muito bem. Eu me escondi num portal. Ela parou e esperou, esperou muito.

Uma hora depois, apareceu um homem alto, escuro, soberbo. Tinha algo de familiar no seu caminhar. Ela tentou uma carícia, mas ele a rejeitou.

Imediatamente compreendi que o homem gostava de vê-la sofrer e amar ao mesmo tempo. Era um homem diabólico. De vez em quando ouvia um riso vulgar. Não podia entender como estava com um homem tão horrível.

Caminharam. Pegaram um caminho que não me surpreendeu.

Ao chegar à luz de uma avenida, consegui enxergar que aquele homem era eu. Eu mesmo, mas como era antes. Com a maldade nas minhas piores épocas. Com a impunidade dos tolos.

Não pude suportar ver isso. Pensei em atravessar a rua e bater em mim, mas tive medo. Eu quis gritar, e ordenar para mim deixar em paz essa garota. Mas o imperativo não tem primeira pessoa e não soube o que me dizer.

Eles pararam um instante e passei diante deles. Ela não me viu. Eu sim pude me ver. Olhei para mim com um gesto de advertência.

Depois os perdi e eu fiquei chorando.

 

Com certeza vocês conseguiram pensar em nomes, ruas, lugares e até alguma outra emoção que entristece o olhar. Porque…. quem não amou de um jeito egoísta alguma vez? Ou quem não se deixou amar de forma errada?

 

Esta é a pedra angular da storytelling.

Contar uma história simples mas que chegue no fundo do coração!

 

E então como aplicar isto nas suas campanhas de marketing?

 

Em primeiro lugar cada empresa deve estabelecer qual será a forma em que vai contar a história e quais são os fins que querem atingir. Pode ser a aposta no mercado de um novo produto ou serviço, a abertura de outra filial, a mudança de algumas políticas, um evento importante, um cumprimento para datas especiais ou uma ação de divulgação da marca para ampliar o segmento de clientes.

Uma vez estabelecidas as causas, é momento de pensar como se deve fazer. Ou seja,

 

 

 

de que forma vou contar a história que quero tansmitir?

 

E para isso é fundamental:

 

Ser inovador:

O elemento surpresa chama a atenção dos receptores e nos destaca. Deve estar impresso em toda a estratégia de conteúdos ainda mais na hora de criar uma storytelling.

Não abusar nem poupar os recursos:

O pior que pode acontecer ao momento de contar um fato é usar muitos elementos narrativos que cansem ao público, ou pelo contrário criar um relato sem matizes nem com as expressões necessárias para estimular o público.

Escolher o meio adequado:

Não é o mesmo uma campanha pensada para vídeo, que um podcast ou um texto com imagens. No caso de se tratar de um vídeo a estrutura narrativa ou o roteiro do argumento deve se manter dentro dos limites de princípio, nó e desfecho; é importante levar em conta que os estímulos visuais têm uma forte hierarquia para empatizar com o público.

Usar uma mensagem clara e fácil de transmitir:

As melhores histórias têm em comum que sempre tratam de temas que de alguma forma nos atinge a todos. A criatividade é importante na forma em que a narração é contada mas o conceito deve ser universal e quotidiano.

A marca como eixo principal da história: Muitas empresas conseguiram realizar grandes campanhas gráficas ou peças publicitárias com doses de humor, lágrimas ou saudade, mas erraram na asociação da história com a marca. Em consequência, numa reunião de amigos por exemplo, conta-se a história, se fazem comentários e anedotas sobre ela mas nunca o produto ou a empresa promotora é mencionada.

É por isso que para marcar a diferença é preciso que tanto a marca como o produto sejam facilmente relacionados com a história relatada.

Exemplos Aplicados da Storytelling.